Dr. Getúlio Amaral Filho
Medicina funcionalmarço de 2026 · 1 min

Medicina 2.0 contra Medicina 3.0 — alarme ou detector

A medicina que tratou seu pai não é a medicina que vai te tratar. A diferença está em quando ela atua.

A diferença entre Medicina 2.0 e Medicina 3.0 é a diferença entre um alarme de incêndio e um detector de fumaça. O alarme toca quando já está queimando. O detector toca quando a fumaça começa. A Medicina 2.0 — a que aprendemos na faculdade, a que se pratica na maior parte dos consultórios brasileiros — é construída para ato dois. Tratar a doença instalada. Escolher o remédio certo, fazer a cirurgia certa, dar o tratamento certo no momento em que tudo já está acontecendo. A Medicina 3.0 não substitui a 2.0. Ela acrescenta o ato um. Procura a fumaça antes da chama. Trabalha com biomarcadores que se movem cinco, dez, vinte anos antes do diagnóstico — insulina de jejum, ApoB, PCR ultrassensível, homocisteína, VO₂ max, força de preensão. Ricardo, 52 anos, fazia check-up todo ano. Todos os exames "normais". Quase morreu de infarto num estacionamento. Nenhum dos seis marcadores que estavam fora do ótimo aparecia no painel convencional. O alarme só foi tocar quando o fogo já tinha começado. A pergunta que importa não é "estou com doença?". É: "estou no caminho dela?".

Fonte: Capítulo 1 do livro Antes.